quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Coleta

Hoje fui tirar sangue no Laboratório Municipal as 7:00 da manhã. Antigamente eu tinha um serio problema para tirar sangue. Quando me trocava para sair de casa minha pressão caia um pouco e eu já ia meio lesado pro laboratório....assim que a moça fincava a agulha no meu braço, minha pressão caía de vez, tudo escurecia e eu quase desmaiava.
De tanto tirar sangue eu acabei acostumando e hoje nem sinto mais medo.
Como comentei antes, por causa da sífilis eu fiquei quase cego, e mesmo depois de 2 anos ainda não enxergo direito, ai hoje no ónibus eu estiquei o braço para apertar a campainha e quando desci bati o braço sem querer no rosto de um rapaz e fiz o óculos dele cair no chão, juro que eu não vi em quem tinha batido, só ouvi o barulho de algo caindo no chão. Ele se levantou pegou o óculos e disse: "Ta louco em, alem de bater na minha cara ainda derruba meu óculos". Eu pedi desculpas assim meio sem graça, sorte que logo eu desci.
Essa não é a primeira vez que pago esses micos. Eu vivia tropeçando nas coisas e esbarrando nas pessoas, que sem entender nada acabavam me insultando. Eu fiquei alguns meses sem assistir TV pois nem enxergava o que se passava na tela, não saía de casa pra nada e o que mais doía é que ninguém ia me visitar.
foram momentos de solidão profunda, pois ate pra por comida no prato eu precisava de ajuda.
Tentei levar tudo numa boa e com muito bom humor, mas no fundo eu estava me remoendo de tristeza.
As pessoas que falavam comigo sempre esqueciam que eu não enxergava direito e insistiam em me mostrar as coisas e me mandar mensagens no celular. Alguns riam disfarçadamente quando eu tropeçava em algo ou caia na rua. nunca dei bola, mas eu me sentia envergonhado...Hoje eu enxergo a minha frente mas o chão ainda enxergo com dificuldade...é mais ou menos assim:
Uma faixa preta fica em baixo dos meus olhos o tempo todo, mas ta melhor que antes, se não nem digitando aqui eu estaria...
Por isso, mais uma vez eu digo....usem camisinha e se cuidem....não desejo o que passei pra ninguém.
abraço a todos.

domingo, 18 de setembro de 2011

Levi's® Go Forth 2011 (Brasil) / Angela Larkan

 

Levi's® Go Forth 2011 (Brasil) 

É o legado de cada pessoa para deixar o mundo do seu jeito. Agora é a nossa vez. Go Forth! http://www.facebook.com/levis




Veja como Angela e sua dedicada equipe estão ajudando a próxima geração a construir uma África do Sul mais forte e saudável.
Angela Larkan tem a missão dar esperança a crianças órfãs pela AIDS na África do Sul através da criação do projeto Thanda Pós- Escola, que dá a essas crianças a oportunidade de ter um futuro melhor. Dê seu apoio à Angela! Go Forth!

domingo, 11 de setembro de 2011

Minha mãe tambem

Como tinha comentado antes, minha mãe também é soro positivo. Na época nem imaginava que eu também viria a ser um dia.
Há uns dez anos atrás ela ainda era casada com meu pai, mas os dois não tinham mais relações sexuais. Foi estranho porque ela não teve nenhum sintoma relevante para desconfiar que era HIV. A única coisa que a levou a fazer dezenas de exames foi alguns caroços que apareceram na nuca, mas que nunca incomodaram.
O exame de HIV foi o ultimo que ela fez, quando ela me contou eu ainda era muito jovem e entrei em desespero achando que ela logo morreria. O tempo foi passando e esse medo desapareceu. Ela sempre tomou os medicamentos certinho e meu irmão e eu demos muito amor e carinho.
No começo ela ficou muito triste em saber que estava contaminada pois ela sempre foi muito fiel ao meu pai. O medico disse mais ou menos há quanto tempo ela poderia estar com o vírus, mas que não era muito preciso. Vendo pelo tempo, ela já não estava mais se relacionando com meu pai, então não poderia ter pego dele.
Na época minha mãe fez uma cirurgia de laquiadura e talvez ela tenha se contaminado no hospital com materiais não esterilizados. Ficamos sabendo mais tarde que já tinha ocorrido outros casos desse naquele hospital.
Quando minha mãe descobriu sobre o HIV ela já estava namorando outro rapaz, no qual ele também se contaminou. Os dois sofreram muito, mas nada como o tempo e o amor pra curar as feridas e trazer paz para o espírito. Os dois são muito felizes hoje. Vivem bem e com uma otima qualidade de vida.
Agora minha mãe e eu apoiamos e cuidamos um do outro. Fazemos o tratamento com o mesmo medico e somos muito felizes.
É incrível como essa doença se espalha tão rapidamente. Imagino quantas pessoas eu devo ter contaminado sem saber e quantas pessoas elas irão contaminar também sem saber. Muitas vezes os sintomas demoram alguns anos para aparecerem, por isso minha gente, usem camisinha com qualquer pessoa que seja, estando casado ou não. Previnam-se.

sábado, 10 de setembro de 2011

Algumas dicas de filmes

ALGUÉM AINDA MORRE DE AIDS? (Does anyone die of aids anymore?)
(EUA, 2002, 25min.)
Diretor: Louise Hogarth 

O OUTRO LADO DA AIDS (The Other Side of Aids)
(EUA, 2004, 87 min)
Diretor: Robin Scovill

O PRESENTE (The Gift)
(EUA, 2003, 62 min)
Direção: Louise Hogarth

FILHOTE (Bear Cub - Cachorro)
(EUA, 2004, 99min)
Diretor: Miguel Albaladejo


O PRAZO FINAL (The 24th Day)
(EUA, 2004, 97min)Diretor: Tony Piccirillo


PEQUENOS GUERREIROS - NASCIDOS COM HIV (Little Warriors)
(EUA, 2003, 65min)
Diretor: Ash Baron Cohen

EU AMO ESSE HOMEM (L'homme que J'aime)
(França, 1997, 87min)
Diretor: Stéphane Giusti

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Dessa vez não contei a verdade


Minha duvida de contar ou não contar ainda permanece. Há alguns meses atrás conheci um cara muito especial, ele realmente gostou muito de mim. Tivemos relação com preservativo e nos tornamos muito amigos. Certa vez ele me convidou para posar na casa dele para nos conhecermos melhor e ficarmos mais a vontade. Eu levei os três comprimidos que tomaria naquela noite em um frasco pequeno. Tivemos um dia maravilhoso e depois do jantar fui tomar o remédio, ele me perguntou que comprimidos eram aqueles, eu não tive coragem de dizer a verdade e disse que eram vitaminas. Depois disso ele desapareceu e não me procurou por um bom tempo. Certo dia eu liguei pra ele o convidando pra sair, ele topou e nos encontramos na casa de um amigo dele. Perguntei por que ele tinha sumido por tanto tempo e ele disse que queria me perguntar uma coisa que dependendo da minha resposta tudo mudaria.
Você tem HIV? Foi a pergunta dele. Eu disse que não. Foi ai que ele contou que quando fui posar na casa dele ele tinha pego o nome do remédio do frasco que eu tinha levado e pesquisado na Internet, onde deu que era para tratamento do HIV. Eu disse a ele que aquele frasco não era meu e sim da minha mãe. Pior que isso era verdade, como minha mãe também é soro positivo e o frasco dos remédios dela e bem pequenininho, uso pra carregar os meus quando saio por ai.
Como eu tinha dito que não tinha HIV, então ele me fez a proposta de namorarmos, de levar a serio uma relação. Na mesma hora eu disse que não aceitava, que poderíamos ser só amigos, que como ele tinha sumido por tanto tempo sem dar noticias o que eu sentia já tinha se acabado e nisso eu não menti também.
Que dizer que se eu dissesse que tinha, ele não ia querer nada comigo.
Saímos aquela noite e nos divertimos muito, mas depois disso nunca mais o vi, ele nunca mais me ligou.
Logo fiquei sabendo que há alguns anos atrás ele tinha um namorado e que os dois fizeram o exame de HIV. O dele deu negativo, mas o do namorado dele deu positivo. Adivinhem o que ele fez? Ele terminou com o garoto por causa disso.
Bom acho que eu não quero uma pessoa assim pra mim.
Claro que entendo o lado dele. Nem eu saberia dizer o que faria no lugar dele.
Como já postei aqui, ainda não sei o que fazer nessa situaçao de contar ou não a verdade já de cara. Tenho medo de me apaixonar e perder a pessoa amada por causa disso. To meio perdido, mas acho que saberei o que fazer quando chegar a hora de fazer.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vivendo e aprendendo


Não sei se isso acontece com todos, mas quando soube do HIV todos os meus sonhos desmoronaram. Realmente achei que não duraria muito e que não adiantaria construir planos a longo prazo para meu futuro.
Meus pais são separados e eu moro só com minha mae. Achava que ela ia se casar de novo e que eu iria morar com um companheiro, trabalhar, me formar, ter minha casa, e caminhar com minhas proprias pernas.
Confesso que isso já não ocupa mais a minha mente, tudo isso perdeu o sentido pra mim. Todos dizem para voce ser forte, para não desistir dos seus sonhos, mas estou muito deprimido pra pensar nisso agora. Deprimido não so por causa do HIV, mas por tudo que andou acontecendo na minha vida antes disso.
Sempre fui muito sozinho e sozinho carreguei muitos problemas nas costas. Era muito rancoroso e de mal com a vida, nunca tive muitos amigos e sempre sofri desilusoes amorosas. Aprendi a não confiar em ninguem, por isso sempre fui uma pessoa muito fechada. Mesmo assim eu tinha esperanças de que tudo iria melhorar um dia e que acabaria sendo feliz de alguma forma. E um belo dia para piorar acabo descobrindo que tenho HIV. É ou não é pra enlouquecer qualquer um? Agora que sei que sou soro positivo só posso garantir que não sou a mesma pessoa que fui. Estou me esforçando pra ser uma pessoa melhor e menos mal humorada. Acho que por achar que já estaria morto acabei dando mais valor a vida.
Ainda não parei pra pensar em planos para o futuro. Sei que tenho que manter meus sonhos e nunca desistir de ser feliz, só não estou com cabeça pra pensar nisso agora.
Tambem tenho conciencia de que não quero ser uma pessoa revoltada como muitos ficam por qualquer coisa. Não quero perder tempo causando mal a ninguem ou me enfurecendo com coisas pequenas, pensando assim acho que já é um passo para me tornar uma pessoa mais agradavel. Quero pelo mesnos fazer o bem por onde eu passar, para que todos tenham boas lembranças de mim e não mais aquela pessoa cruel e sem sentimentos que fui um dia.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Descaso


Fiz os exames de HIV em uma clínica particular que me encaminhou para o SUS, pois precisaria me consultar com um Infectologista para começar o tratamento. Chegando no posto de saúde perto da minha casa fiquei esperando duas horas para passar pela triagem. Ao saberem do meu caso fui o primeiro a ser atendido, mas não por um infecto e sim pelo clínico geral. Ele me pediu um monte de exames e quando esses exames tivessem prontos me encaminharia para o infecto.
Nessas alturas eu não tinha tempo pra esperar, pois os sintomas da sífilis estavam devastando o meu corpo. Estava com os olhos infeccionados e quase não enxergava nada, tinha manchas que descascavam a pele das minhas mãos e pés e estava muito magro. Precisava era ir direto para o infecto, pois com certeza ele iria me pedir esses mesmo exames.
Depois de muito discutir com as enfermeiras do posto, me encaminharam o mais breve possível. Chegando no Infectologista a criatura me pede os exames CD4 e Carga viral para dali 4 meses. Foi outra briga, dessa vez com a secretaria do medico que respondia por ele.
Passados 15 dias voltei la com os exames e realmente minha imunidade estava muito baixa. O medico preencheu a receita, olhou pra minha cara e disse: “você vai gastar quase mil reais de medicamento por mês.” Peguei a receita e nunca mais voltei la.
Fui ate o posto de saúde perto da minha casa e exigi a tranferencia para outro medico. Assim foi feito e há quase dois anos me consulto com o Doutor Kenji, que é muito querido e atencioso com seus pacientes.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Contar ou não contar?

Vou confessar que tenho uma certa dificuldade de contar para as pessoas proximas que eu tenho HIV. A única pessoa que sabe é minha mãe, que por sinal tambem é portadora do virus (mas isso é assunto pra outro post). Nunca tive muitos amigos e os poucos que tenho não são tão intimos e não me sinto a vontade para contar. Desde sempre fui uma pessoa muito reservada sobre minha vida pessoal. Nunca gostei muito de expor meus sentimentos ou minha opiniao sobre certos assuntos.
Depois que soube que era soro positivo fiquei pensando como seria minha vida amorosa, como seria aquele processo do primeiro encontro onde os casais trocam informaçoes sobre suas vidas, seus gostos e suas frustraçoes. Como poderia dizer no primeiro encontro que tenho HIV? Creio que se fizer isso a pessoa não vai querer mais me ver, mas se eu não disser e começar um relacionamento serio com alguem, como poderei esconder isso por tanto tempo? E se eu contaminar a pessoa que eu amo e ele vir a descobrir e passar a me odiar depois disso?
Sei que muitos casais depois de um bom tempo de namoro passam a transar sem camisinha por adquirirem confiança um no outro ou por já terem feito juntas exames de HIV.
Comigo a transa vai ser limitada, sempre com preservativos e sem aquelas taras que sabemos que muitos homens tem. (será que preciso ser mais especifico?)
Será que soros positivos só porderao se relacionar com soros positivos?
Devo contar já de cara pra qualquer um que se aproximar que tenho HIV, ou devo conseguir primeiro a confiança dessa pessoa? Realmente não sei o que fazer.
Assim como a maioria eu também quero alguém que me ame do jeito que sou, não por pena ou solidariedade. 
também entendo se a pessoa não quiser ficar comigo por causa disso, não posso exigir o amor de ninguem, posso apenas dar boas razoes pra que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Medo de morrer


Assim que descobri que tinha HIV, fiz de tudo para não pensar muito na doença e continuar vivendo normalmente, mas foi impossivel não para e refletir um pouco sobre a vida. Achei por um instante que não duraria muito, que logo iria morrer. Com a imunidade baixa eu poderia pegar uma outra doença comum que pudesse se agravar.
Senti um pouco de medo e muito arrependimento por não ter me cuidado mais.
Reformulei todo o sentido da vida e passei a cuidar mais daquilo que realmente é importante pra mim. Hoje vejo tudo de outra forma. Não me irrito com qualquer coisa e levo a vida em paz, sem prejudicar ninguem, sem ligar pra coisas insignificantes...
Passei a ser uma pessoa melhor dando conselhos até pra quem não quer ouvir de que a vida é muito preciosa e que não devemos perder tempo com quem não merece.
Tantas pessoas morrem sem ter qualquer tipo de doença, então hoje eu sei que todo mundo tem sua hora de partir. Quero viver até onde eu puder, tomando certinho os medicamentos todos os dias. Quero ajudar quem eu puder e concertar todos os erros que conseguir, quero perdoar todos que me feriram de alguma forma e ser feliz de consiencia limpa.
Não tenho mais medo de morrer.
A morte é inevitavel pra todos.